Glauco Diniz Duarte Diretor – porque economizar energia no horario de verao
Segundo o Dr. Glauco Diniz Duarte, como o nome já diz, este modo diferente de posicionar as horas do dia e tentar economizar energia com isso acontece na estação mais quente do ano, pois é a época em que os dias são mais longos e contam com mais luz solar. Isso tudo graças à rotação da Terra e sua posição em relação ao sol. Aliás, este é um dos conceitos básicos do horário de verão: Ele é útil apenas para regiões distantes da linha do Equador, quanto mais, melhor. Por isso que o sul do Brasil adota a medida, e o Nordeste não (a relação horas com sol x horas sem sol não é afetada nestes locais).
A ideia de se aproveitar da inclinação da Terra não é nova, e, na verdade, ela deve ser mais antiga do que você imagina. Ela é criação do inventor, político, cientista, etc. Benjamin Franklin. Ele apresentou a ideia em 1784, há mais de 230 anos, porém ninguém deu ouvidos a ele. E antes que você se pergunte, “Mas por que ele queria economizar energia se na época nem existia a eletricidade?”, eu lhe respondo: Porque energia não significa eletricidade, é claro :p
Estamos acostumados a pensar em energia e ver o termo “eletricidade” surgir na mente, porém energia pode ser de muitos outros tipos, como a cera das velas, que Franklin queria, originalmente economizar, ou o carvão, primeiro material a ter seu consumo reduzido pelo horário de verão. Essa experiência aconteceu mais de 130 anos depois da ideia original, e há quase 100 anos atrás, quando, em 1916, a Alemanha, durante a 1ª Guerra Mundial, precisava economizar onde podia.
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Aqui no Brasil ele demorou um pouco mais para ser adotado, surgindo pela primeira vez em 1931 e sendo recorrente em todos os anos a partir de 1985. Os estados abrangidos por lei (que data de 2012) e fazem parte deste sistema são Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e no Distrito Federal (Tocantins há alguns anos não entra no HV, e a Bahia já experimentou uma vez, desistindo no ano seguinte). A lei também tratou de regular quando ele entra em vigor e quando ele sai de cena: Segundo o mesmo dispositivo legal ele começa na zero hora do terceiro domingo do mês de outubro de cada ano, estendendo-se até a zero hora do terceiro domingo do mês de fevereiro do ano seguinte, exceto quando este domingo de término da medida coincidir com o Carnaval, caso em que é postergado para o próximo final de semana.
Hoje, grandes países como boa parte do Brasil, Canadá, Europa, Estados Unidos adotam o sistema, enquanto inúmeros outros adotaram e desistiram, ou então, alguns outros ainda nunca o adotaram (basicamente aqueles alinhados ao Equador).
Como funciona?
A ideia geral é fazer com que o país consuma menos, ligando menos aparelhos na tomada ao mesmo tempo. Funciona assim: Adiantando o relógio em 1 hora, quando na verdade seriam 19 horas e começaria a cair a noite,fará com que este princípio de anoitecer só aconteça às 20 horas. O que se busca na prática é fazer com que a forte demanda da iluminação pública e das pessoas ligando as lâmpadas e os chuveiros de suas casas após chegarem do trabalho não coincida com o horário que as empresas estão na ativa (geralmente até às 18h), demandando e consumindo muita energia.
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Exemplo: A cidade X tem uma empresa que consome 2 mil KWh para funcionar. Se anoitecer cedo no inverno, teremos o consumo de 2 mil KWh da empresa X + os 3 mil KWh de iluminação pública que entra em campo no cair da noite + as tantas lâmpadas que são ligadas assim que o sol começa a ir embora + chuveiros dos trabalhadores que retornam ao lar e querem relaxar, etc. resultando em uma quantia considerável de energia necessária para que tudo permaneça ligado. Agora, se o horário de verão está implementado, a empresa X irá desligar suas máquinas enquanto ainda é dia, as pessoas não irão ter (em grande parte das residências) chuveiro e lâmpadas ligados ao mesmo tempo e só depois é que os postes das ruas serão ligados. Ou seja, no primeiro exemplo tudo era ativado simultaneamente, enquanto que no segundo cada um será executado na sua vez, sem comprometer a geração de energia por demanda uma superior à oferta.
Os resultados são analisados e publicados anualmente pela ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico – em seu site. Em 2012/2013, por exemplo, o local que mais economizou energia em relação a um período sem horário de verão foi o Rio Grande do Sul (4,9%), justamente o estado mais ao sul e, portanto, mais distante da Linha do Equador. BINGO!
Ao todo estima-se que a economia passe, geralmente, dos 200 milhões de reais por ano, e se poupe 3 mil megawatts (o que corresponde a mais de 3 turbinas de Itaipu descansando).
Questões biológicas
Atualmente o grande argumento daqueles que são contra o horário de verão é as alterações biológicas que são causadas nas pessoas. Calcula-se em 10 dias o tempo necessário para que o nosso corpo se adapte à nova situação. Enquanto isso, os sintomas mais comuns são as crises de enxaqueca e de mau-humor.
E como se não bastasse o drama hormonal mensal, as mulheres são as mais afetadas pela mudança de clico do HV, expressando, principalmente, através de problemas emocionais. Segundo Paulo Camiz, professor e clínico-geral do Hospital das Clínicas, em São Paulo, “Até mesmo o hábito intestinal pode ser alterado, já que muitas vezes ele está atrelado ao ciclo do sono e vigília”.
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Os problemas surgem, principalmente, por causa da melatonina, hormônio usado na indução do sono que é liberado pelo cérebro quando há aquele ambiente escuro propício para uma boa noite de sono. Por isso nosso corpo sofre ao acordar e ver que ainda está escuro (como acontece em parte dias do horário de verão) e quando tentamos dormir à noite, mas não conseguimos. Sim, o inverso também acontece: como escurece mais tarde, nosso corpo vai demorar mais para produzir a tal substância e, consquentemente, nos fazer sentir sono.
Acredite ou não, mas esta é uma discussão séria, chegando, inclusive, no Congresso Nacional. Hoje há 3 projetos de lei que tentam abolir o HV no Brasil tramitando por lá. Os argumentos dos deputados é que enquanto o benefício energético não atinge toda a população, os malefícios da troca de ciclos afetam a todos, principalmente aos idosos que já tem a imunidade mais baixa.