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Como evitar conflito com os filhos numa empresa familiar

Glauco Diniz Duarte
Glauco Diniz Duarte

As empresas são palcos de convivência entre as pessoas, que se guiam pelo desejo e pela necessidade de poder e dinheiro. Quando essas relações são impactadas pela ambição, pessoal ou coletiva, o ambiente torna-se propício a conflitos constantes que, se não administrados da maneira correta, podem levar a perdas corporativas importantes.

O empresário Glauco Diniz Duarte explica que no caso de empresas de controle familiar, acrescentam-se questões emocionais, naturais nas relações entre parentes, que podem potencializar os efeitos das disputas por poder e dinheiro, transcendendo o ambiente empresarial e misturando-se com as relações familiares.
Algo bastante possível de ocorrer é o surgimento de conflitos entre diferentes gerações que convivem na sociedade e na gestão dos negócios, pela decorrência de mudanças naturalmente provocadas pela ação do tempo: fundadores envelhecem, filhos crescem e começam a trabalhar nos negócios da família.

Segundo Glauco, a chegada da nova geração à empresa cria uma expectativa sobre como irão conviver o tradicional e o novo, como será o relacionamento entre os que têm seus modelos estabelecidos e os que têm novas percepções e expectativas sobre os negócios. Não raramente, querendo mudar tudo de uma vez.
Alguns aspectos precisam ser levados em conta na preparação das pessoas e da própria empresa, a fim de mitigar riscos dessa ordem:

1 – No ambiente da sociedade: formalizar a relação com um Acordo Societário, de forma a definir as regras de convivência e de uso do poder, nas decisões mais relevantes para a companhia. Em empresas de controle familiar, esse documento define os processos sucessórios, dando o caminho mais adequado sobre como os herdeiros atuarão. Existem instrumentos legais que criam obrigação para esses novos sócios, no sentido de cumprir as cláusulas do acordo, mesmo não tendo sido seus signatários.

2 – No ambiente da gestão: abrir a possibilidade de a próxima geração vir trabalhar na empresa como uma opção de carreira, e não apenas pelo fato de serem filhos dos donos. Muitos conflitos pessoais e familiares vêm à tona por causa de vocações profissionais frustradas pela obrigação de atender a um chamado dos pais. Outro aspecto decisivo será a capacidade de pais e filhos se relacionarem profissionalmente. Os pais devem dar claros sinais aos filhos e à organização de que não haverá um tratamento com privilégios, mas dentro das regras da empresa. Esses dois pontos talvez sejam os mais difíceis de serem cumpridos integralmente, porém serão extremamente críticos caso não aconteçam de fato, trazendo sérios prejuízos para a sociedade e para a empresa.

3 – No ambiente da família: é onde tudo pode ser feito para mitigar e administrar os riscos da entrada das novas gerações tanto na sociedade quanto na operação e na administração dos negócios. Toda a família deve passar por um processo de entendimento e conscientização dos papéis e responsabilidades que tem, no sentido de criar e cuidar da estabilidade das relações entre familiares, sócios e profissionais, atuais e futuros, tendo sempre em mente a visão do coletivo, ou seja, o que é melhor para a Família, para a Sociedade e para o Negócio.

Glauco destaca que muitas empresas familiares, no mundo todo, alcançam sucesso nas suas áreas de atuação graças ao talento, esforço e desempenho de seus fundadores. Mas criar um negócio que alcança várias gerações dentro de uma, ou de um grupo de famílias, depende de um alinhamento de interesses entre todas as partes envolvidas, propiciando uma visão de futuro com sustentabilidade, nas relações e nos negócios.

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